O Lamento de Susanna - (parte II)



II

A visão de si mesmo envelhecido não é, com certeza, a melhor imagem que se possa desejar.

A maioria das pessoas nunca pensa em como vão ser ou como vão ficar quando envelhecerem. Elas tentam constantemente nunca pensar nisso, pois com certeza atrapalharia o presente. É uma imagem que muitos consideram como um pesadelo. A questão é que ninguém pode escapar disso.

Susanna teve a oportunidade de ver isso. E ela não gostou.

A visão enrugada a sua frente era ela sem sombra de dúvidas. O olhar era inconfundível, mesmo com todos os pés de galinha a lhe rodearem os olhos. O cabelo, branco como a neve, podia ter perdido já o seu brilho, mas ainda emoldurava seu rosto do mesmo jeito.

Susanna era vaidosa, assim como toda mulher em sua idade ou qualquer idade que uma mulher tenha. E essa vaidade se demonstrou nessa sua visão futurística. A maquiagem estava ali. O batom na boca minguada. A roupa bem passada. Exatamente como ela se arrumava no presente.

As lágrimas lhe corriam dos olhos por vários motivos. Primeiro foi a surpresa. O susto lhe fizera todo corpo estremecer. Depois foi a tristeza ao lembrar-se que um dia ficaria velha e decrépita. Saber que a vitalidade se esvaia de seu corpo a cada dia que passava a entristeceu bastante. Depois veio a alegria. Um misto de felicidade e esperança por saber que ela chegaria a velhice e que sua personalidade não havia mudado com o tempo. A dúvida também entremeou seus pensamentos, já que ela não sabia o que era na verdade aquele espelho e nem se a imagem que ela via realmente era ela num futuro ainda distante.

Foi nesse momento introspecto, onde sua mente vagava pelos recônditos de seu inconsciente, buscando respostas para suas perguntas e alivio para seu atual desespero que um barulho lhe chamou a atenção.

O barulho de sandálias se arrastando inundou a nave da igreja e ecoava pelos seus quatro cantos. Susanna virou-se rapidamente para o lugar em que parecia estar vindo o som. Num sobressalto e num ímpeto costumeiro ela pegou sua camera e gravou aquilo que seus olhos viam se arrastando para perto dela.

Susanna respirou fundo. Deixou a foto tirada abaixo da verdadeira imagem em seu campo de visão. Uma senhora olhava para ela com olhos brilhantes e um sorriso maroto. Parecia que ela esperava alguma fala da parte de Susanna, mas esta ficara muda com o coração ainda batendo forte. A velha olhou para o busto de Susanna e viu seu peito arfando sob a blusa. E sua voz cortou o silencio que imperava.

- Posso lhe ajudar?

Susanna engoliu em seco.

- Desculpe...eu...eu pensei que esta igreja estava abandonada.

- E está. E eu também fui abandonada junto com ela.

- A senhora mora aqui?

- Pode-se dizer que sim.

- Eu não queria incomodar..eu só...

A velha começou a se aproximar de Susanna, que recuou três passos.

- Não precisa ter medo menina. Não vou lhe fazer nenhum mal.

Os passos fracos da mulher cessaram quando ela ficou do lado do espelho, pois viu que Susanna ainda recuava. Ela apoiou as mãos na bengala gasta e sorriu dizendo:

- Qual o seu nome?

Susanna abriu a boca para falar, mas sua mão a fechou no mesmo instante.

Um arrepio passou pela sua espinha. Os pelos de seu corpo se arepiaram por completo.

Ali, na posição em que a velha estava, no espelho deveria estar aparecendo seu reflexo...

Mas não estava.

LISBETH

Por Hemerson Miranda





           Dizem que só damos valor a algo depois de o perdermos, mas eu acredito que quando amamos uma coisa com todas as nossas forças e a perdemos, nem mil mortes poderão curar esta dor.

Poucas coisas neste mundo fazem um homem se curvar. Mas a mais costumeira delas é a mulher. O mais valente chora e o mais bárbaro sorri. Elas são capazes de transformar um ignorante em um poeta. Eu sei, pois já passei por isso.

          A conheci na rua, como vendedora de flores. Era órfã e vivia em abrigos diferentes todos os dias. Não possuía sonhos ou esperanças. E pelo jeito não suportava mais nem possuir a si mesma. Ao tomar o costume de sempre passar pela rua em que ela se encontrava vendendo suas flores eu comecei a criar amizade. Seu sorriso havia me encantado como nenhuma outra imagem jamais havia feito. Ao perguntar seu nome foi como se um coro de anjos começasse a entoar os mais belos cânticos. Lisbeth. Falei seu nome em voz alta como que para senti-lo em minha língua. Sonoro. Encantador. Ela sorria olhando para mim, como se me achasse bastante bobo.

            O tempo passava e nossa amizade crescia. Certa vez a convidei para jantar em minha casa e qual não foi a surpresa dela ao ver a minha mansão. Seus olhos castanhos brilhavam de tanta alegria e espanto. Naquela noite eu a pedi em casamento e consumamos nossos desejos na cama. Foi a noite mais inesquecível de toda a minha vida. Tenho decorado em minha mente cada momento, cada detalhe. Seus cabelos loiros e sedosos, belos como nenhum tesouro de reis jamais foi. Os suspiros que ela soltava; sua ingenuidade e ao mesmo tempo sua malicia, me envolveram e eu desejei que a noite não tivesse um fim.
            Casamos e eu dei a ela uma festa de casamento que ela jamais poderia esquecer. A cerimonia ocorreu em meio as bênçãos de alguns e os murmúrios maldosos de outros, mas a nossa felicidade nos deixava surdos e cegos quanto a essas coisas.

Os meus dias pareciam agora infindáveis primaveras. A cada vez que acordava e via o sorriso dela em minha direção eu imaginava que estava no paraíso. Sua companhia era agradabilíssima e me divertia com a curiosidade peculiar das crianças que ela possuía. Deleitei-me em sua presença todos os dias e nunca me cansava de elogiá-la, afagando suas delicadas madeixas douradas e beijando sua boca macia e suculenta. Mas assim como toda noite sucede o dia, por mais belo que ele seja, as nuvens negras se acumularam sobre nossa vida aos poucos, trazendo uma torrente de desgraça para o seio de nosso relacionamento. Foi num dia ensolarado que ela desmaiou no jardim e uma febre a acometeu durante longo tempo. Sentia dores em todo o corpo. Desmaios frequentes a deixaram na cama todo o tempo.

Chamei o melhor médico que conhecia. Ele a examinara e disse nunca ter visto algo semelhante. Aparentemente ela estava bem, pois ele não encontrava a fonte das dores, desmaios e febre. Julgou ser talvez algo psicológico, mas os gemidos de dores o fizeram descartar esta hipótese. Fiz ele se instalar em um dos vários quartos da casa, para assim ficar de prontidão para qualquer emergência e pudesse avalia-la melhor.

Dias melancólicos se passaram sem que nenhuma melhora ocorresse no corpo de minha amada. A cor de sua pele estava quase transparente e durante a noite os seus gemidos de dor se tornaram numa sombria melodia. Eu trancava-me em outro quarto para que ela não visse ou ouvisse meu pranto derramado por ela. Sentia, com todas as minhas forças, que um fim trágico estava chegando. No sofá me demorava a dormir e quando conseguia dormir era com o rosto banhado em lágrimas.
Foi no despontar do trigésimo dia, ao som de gritos e lamentos das empregadas, que aconteceu. Corri para o quarto de Lisbeth e encontrei o médico segurando em seu pulso. A pele branca e os lábios me diziam que a vida tinha abandonado aquela que eu julgava ser minha própria vida. Ela se distanciara de Lisbeth como as esperanças ao toque de minhas mãos. Joguei-me ante seu corpo inerte e a banhei com uma profusão de lágrimas. O médico e as empregadas me deixaram a sós com o cadáver, que por mais sem vida que estivesse ainda mantinha sua beleza corpórea.

Deixei que outras pessoas fizessem os preparativos para o velório. Pedi ao médico que fosse para casa afim de eu ter meu momento de dor a sós. Ordenei as empregadas, que dormiam numa casa nos fundos da mansão, que não fizessem nenhum trabalho aquela noite. Desejava ficar com minha amada falecida sem interrupções. A noite chegou mais rápida que o vento e com ela nuvens pesadas, trovões e relâmpagos, que anunciavam a partida daquela que eu amei mais que a mim mesmo.
Na sala o caixão fora posto bem no centro, rodeado por castiçais e coroas de flores. Rodeei-o por uma hora e, não mais me contendo, retirei-me ao meu escritório e abri minha única garrafa de absinto. O desejo de acompanhá-la na morte era forte, mas a covardia de tirar a própria vida me preenchia a mente e cheguei a me envergonhar disso. Deixei-me cair na poltrona e me embriaguei com o líquido verde. Seu gosto arranhou minha garganta e o amargor fixou-se em minha língua a ponto de eu querer vomitar. A luz dos relâmpagos invadia o escritório e por vezes me causou saltos de susto e frio na espinha. Continuei a bebericar mesmo que meu interior fosse ficando tão amargo quanto minha vida.

Em meio ao trovoar no céu eu ouvia um barulho estranho, mas julguei ser alucinação causada pela bebida, unida a minha profunda tristeza. Quando de repente um som alto, seguido por mais um trovão, vindo da sala, me chamou a atenção. Após isso tudo ficou em silencio. Depois ouvi um arrastar de algo no piso de madeira. O barulho parecia se aproximar. Um calafrio percorreu minhas costas. Tomei mais um gole e quase me engasguei. Ergui-me da poltrona lentamente enquanto continuava a ouvir o arrastar de algo vindo em direção ao escritório. Parou. O silencio voltou a reinar. Procurei em minha calça a pistola que herdara de meu pai e aguardei algo aparecer na porta. Acredito que fora a influencia da bebida que me trouxera a mente a ideia de que era um ladrão. Como todos haviam me deixado a sós na grande casa a meu próprio pedido, julguei que algum estranho houvesse entrado na casa a procura de algo, pois nenhum dos empregados jamais me desobedecera. Meus braços erguidos apontavam a pistola para a porta, de onde o barulho ficava cada vez mais alto.

Ao lembrar-me deste incidente eu amaldiçoo aquele dia como o dia mais negro da minha vida. A forma apareceu diante da porta como que uma assombração, junto com amais um trovão. O tiro foi certeiro na cabeça. Acredito que o dedo deslizou, ou o susto que tomei que fez a pistola atirar. Não importa mais. A minha amada caia diante de meus olhos como se o tempo tivesse parado. O corpo, alvo mais que a neve, estremeceu sob a mortalha quase transparente. Suas madeixas douradas cobriam metade de seu rosto lívido, em cuja testa uma ruga de dúvida se formara. Os olhos olhavam para mim fixamente e nunca em toda a minha vida, um olhar perpassou o meu interior como o dela naquele dia. Ela parecia perscrutar com os seus olhos todo o meu ser, despindo-me de tudo aquilo que me fazia ser eu. O corpo de Lisbeth caiu a poucos metros de mim, sem vida, sem esperanças, sem alegria. Eu desabei no chão com as mãos na cabeça. A arma, fruto de minha desgraça, a joguei para o lado, enojado. Um grito animalesco saiu do fundo de minha garganta, arranhando minha carne interna, e foi abafado por mais um trovão. Trovão semelhante ao que também abafara o som do tiro que levara de vez e para sempre a minha doce Lisbeth.

Nunca chorei tanto em toda a minha existência. Abraçava o corpo inerte de minha amada com todas as minhas forças. Em seus dedos as unhas estavam quebradas e cobertas de sangue, pois ela forçara a sua saída do caixão. Seu rosto estava agora coberto pelo líquido vermelho e viscoso. Amaldiçoei a minha vida. Banhei seu corpo com minhas lágrimas e pedi a todos os deuses e demônios que ouvissem o meu clamor e me levassem junto da minha joia mais preciosa. Eu fui o autor de minha desgraça. Eu tirei de mim mesmo a minha mais profunda alegria.

O dia começou a raiar quando me levantei do chão e levei seu corpo de volta ao caixão. Sentia a mais dolorosa vergonha de mim mesmo e não queria compartilhar isso com mais ninguém. Aproveitei que o tiro fora abafado pelo trovão e a coloquei de volta no caixão. O enterro ocorreu como havia sido planejado. Ninguém desconfiou, mas no meu intimo eu definhava a cada dia com a terrível lembrança do que fiz à minha esposa.

Os dias se passaram como se uma pesada, densa e mórbida nuvem repousasse acima da minha casa. Não houve uma noite em que, ao lembrar-me de Lisbeth, eu não caísse em prantos inconsoláveis. Nada poderia preencher o meu vazio. Nada. A não ser Lisbeth. Por isso hoje, ao escrever este pequeno relato, estou aqui, sentado em meu escritório com uma pá do meu lado, pronto a ir ao encontro de minha amada e trazê-la de volta para mim.

As Lendas dos Signos do Zodíaco

Olá, pessoasamadasdemeucoração...
Quando eu li esse post achei fantásticas as lendas sobre os signos do zodíaco, o texto é um pouco longo, mas é muitíssimo interessante.
Então...
Bora pro post...U.U


As Lendas do Zodíaco


Os 12 conjuntos de estrelas que representam os signos de hoje foram padronizados ainda na Antiguidade, a partir da influência de imagens da mitologia de babilônios, egípcios e principalmente dos gregos e romanos. Os gregos antigos atribuíam aos conjuntos de estrelas situados na região do zodíaco, histórias e lendas associadas com os feitos de seus deuses e heróis. É isso mesmo, poucos sabem, porém, cada signo possui uma lenda da mitologia grega (tinha que ser!). Essas histórias muito interessantes explicam, por exemplo, porque um carangueijo é o simbolo do signo de Câncer, ou porque um ser metade homem metade cavalo é o símbolo de Sagitário. Nesse post, conheça a história do seu signo.

ÁRIES

O rei Athamas tinha por rainha a deusa Nephele com quem teve dois filhos: Phrixos e Helle. Tendo que retornar ao Olimpo, deixou as crianças aos cuidados do pai. Depois de um tempo, Athamas uniu-se a Ino que planejava livrar-se das crianças, filhos da "ex" de seu marido. Decidiu espalhar doenças e secar as sementes dos cereais prejudicando as futuras colheitas. Prevendo que Athamas consultaria o oráculo para saber as causas das desgraças, subornou os sacerdotes, para que convencessem o rei que a única forma de aplacar a ira dos deuses era sacrificando os filhos que teve com Nephele.
Embora com grande sofrimento, Athamas, pelo bem do povo, obedeceu as ordens do oráculo. Nephele, indignada, a tudo assistia. Para proteger os seus filhos, encontrou-se com eles às escondidas, avisando-os que no dia do sacrifício um carneiro com lã de ouro desceria dos céus e aterrizaria diante deles. Orientou-os a montar no carneiro. O único cuidado que deveriam ter era de não olhar para baixo durante o vôo. No dia do sacrifício, o carneiro surgiu e levou as crianças. Helle, no entanto, apesar das recomendações, não resistiu à tentação e olhou, caindo ao mar no local que ficou depois conhecido como Helesponto ( hoje Dardanelos ). Phrixos chegou salvo à Colchida onde sacrificou o carneiro à Zeus que o colocou no céu entre as estrelas.

O Lamento de Susanna



I

Era o terceiro dia que Susanna estava naquela cidade e a igreja abandonada sempre despertava sua curiosidade. Ela voltaria para casa em dois dias e seus olhos e a lente de sua câmera ansiavam em poder fotografar o interior daquela igreja.

Quando perguntou a sua tia, cuja casa estava lhe servindo de lar naqueles dias, ela desconversou e disse que lá era um lugar proibido. Isso não explicou nada e só fez a vontade de Susanna entrar lá crescer mais e mais.

Neste dia, quando o sol estava prestes a se por ela caminhava do lado da igreja. A câmera na mão, um vestido esvoaçante e um brilho no olhar que poucas vezes lhe animava o semblante. A rua estava deserta e sua cabeça rapidamente começou a trabalhar. Havia um nicho no muro dos fundos; ela correu até ele e,com um pouco de dificuldade conseguiu passar, mas não sem arranhar sua perna e o lado de sua camera.

Musgos, trepadeiras e todo tipo de erva daninha invadiam cada canto da fachada e dos muros do prédio. Ela ouviu pequenos animais correrem ante suas passadas. Rodeou o lugar e subiu a escadaria que dava para a porta principal. Para sua surpresa a grande porta estava entreaberta. Parecia que tudo aquilo fora abandona as pressas. A porta rangeu quando ela empurrou e uma camada de poeira caiu sobre si.

Depois de tossir e se limpar um pouco ela olhou para a grande e imponente nave. Um lustre que já fora com certeza o orgulho daquele lugar suspendia-se no teto sem brilho, unicamente congelado no tempo pela poeira que o encobria como uma camada. A luz dourada do crepúsculo tentava entrar pelas frestas das grandes janelas que ainda permaneciam limpas, formando assim vários raios que atravessavam de maneira bela o interior daquela igreja.

Susanna caminhou pelo meio dos bancos imensos  e se dirigiu ao altar. Parou de tempos em tempos para fotografar. Percebeu como o lugar era uma imagem digna de ser eternizada pelas fotos. Subiu os dois degraus que precediam o altar e, para sua surprea, no lugar de uma mesa ou um púlpito,encontrou apenas algo estreito e alto coberto por um grande pano negro. Ele tirou mais uma foto e ficou olhando por um instante aquilo.

A curiosidade falou mais alto e ela pegou no pano negro para puxá-lo. Deu um suspiro e o puxou com força. Uma nuvem de poeira subiu, o pano caiu no chão e os olhos de Susanna se aregalaram com o que estava a sua frente. Ela deixou a camera cair em seu peito, que arfava sob a blusa. De seus lábios vermelhos um gritinho abafado saiu e sua mão tapou sua boca.

Ela se aproximou daquilo que era um espelho de aparência muito antiga. Seus olhos pareciam que iam saltar de suas órbitas. O coração palpitava freneticamente. A imagem que Susanna via diante de si era a coisa mais incrível que ela já vira. Ali, na mesma posição que ela estava, com a mesma expressão no rosto, só que com a face bastante envelhecida, o cabelo branco, a pele caída e cheia de manchas senis, estava Susanna.

Ela ficou minutos contemplando aquela que,para muitos, seria a visão mais desagradável já vista. Ela possuia poucos dentes e o cabelo branco e raro deixava a mostra a sua cabeça. O rosto cheio de rugas, os olhos já perdendo sua vida. Aquela imagem macabra a deixou sem respirar e num mundo só seu até que ela ouviu um barulho por trás de si.

Um pombo havia entrado e ficara se debatendo no teto. Aquilo a fez voltar para si. Mas voltou a olhar para o espelho. A imagem continuava do mesmo jeito. seu eu envelhecido. Susanna viu lágrimas brotarem de seus olhos como uma cascata. A imagem a sua frente chorava também, só que ela sentiu pena de si mesma, ou daquela imagem que na verdade era ela...ela se sentiu confusa.

Susanna passou a chorar não pelo que via a sua frente,mas por si mesma.

Continua...

A Ninfa Menta - Minta



Na mitologia grega, Minta ou Menta (em grego antigo: Μινθη,transl. Minthê), era uma ninfa que vivia no rio Cocito, amante deHades, o rei do mundo dos mortos. É a "Ninfa do Submundo".
Por ter a condição de concubina do monarca, ela se gabava de ser a mais bela do reino e alegava que Hades iria fazê-la sua nova soberana, expulsando sua até então esposa Perséfone. O relacionamento que os dois mantinham foi descoberto pela rainha, que além de se achar no direito de exigir fidelidade de seu esposo, enraveicida e enciumada transformou-a na planta menta.
Seu mito, noutra versão, estaria ligado ao próprio rapto de Perséfone: Minta (ou Minte), ninfa que habitava o Submundo, mantinha com Hades um relacionamento, interrompido por seu casamento; a ninfa então, procurando recuperar o amante, passou a se vangloriar, dizendo ser mais bonita que sua rival, despertando a fúria em Deméter, mãe de Core. Deméter então puniu a moça presunçosa, fazendo em seu lugar surgir a menta.
A menta era uma das plantas utilizadas nos rituais funerários da Grécia Antiga, junto ao alecrim e amurta, e não somente para amenizar os odores da decomposição: fazia parte dos ingredientes da bebida enteógena feita com cevada fermentada dos iniciados nos ritos eleusinos, e que lhes dava a esperança na vida eterna


A menção a Minta, em alguns clássicos antigos:
" Perto de Pylos, em direção ao leste, há uma montanha nomeada após Minthe que, segundo o mito, tornou-se concubina de Hades, e depois foi pisada por Kore [Perséfone], e transformada em hortelã, a planta que alguns chamam Hedyosmos. Além disso, perto da montanha há um recinto sagrado para Hades".

Perséfone mais tarde teve a magia de mudar a forma de uma mulher [Minta] na perfumada hortelã."Minta (Menta), dizem os homens, era uma donzela do mundo subterrâneo, a Ninfa do Cocito, e ela deitava-se no leito de Aidoneus (Hades); mas quando ele raptou a jovem Perséfone no monte Aitnaian [na Sicília], então ela protestou em voz alta com palavras arrogantes e enlouquecida pelo ciúme estúpido, e Deméter espezinhou-a com os pés, destruindo-a. Pois ela havia dito que era mais nobre de forma e mais excelente em beleza do que a Perséfone de olhos negros, e gabou-se que Aidoneus voltaria para ela e baniria os demais de seus salões: tal paixão caiu sobre sua própria língua. E da terra ramificou-se na frágil erva que leva seu nome




Antinoo( Antinous) O Deus dos Homosexuais

Merry meet meus queridos.
Bem como alguns de vocês sabem eu adoro esse mundo gay , não tenho preconceito algum em relação a homossexualidade(não homossexualismo, já que o sufixo ismo é utilizado para caracterizar doença, o que não é o caso...=D), e esse é um dos motivos que também adoro dentro do paganismo, vejo tantas religiões que declaram a homossexualidade como uma praga ou algo do mal, uma doença que precisa ser exterminada (Aff...)
Na Bruxaria isso não acontece, o paganismo te aceita da forma que você é sem se improtar com tua etnia, cor ou opição sexual se você é feliz então já basta. A homofobia além de ser um crime e uma das piores coisas que ja vi emanar de um ser humano.Acredito nas  inúmeras formas do amor independente da sua escolha sexual ou qualquer outra coisa . Mais bem vamos ao porque do post, enfim depois de algumas horas de" viagem " dentro de um sebo a procura de um livro sobre Deméter ( a deusa de colheita)sem nenhum sucesso, um  dos atendentes veio me ajudar na procura já que o sebo não estava tão cheio, e depois de algumas minutos de conversar ele disse que tinha visto Deuses para tudo quanto era coisa, porém nunca tinha visto um Deus para os gays, sabia que na antiguidade a homossexualidade era muito comum. Então falei a ele que sim havia um deus dos homossexuais e que seu nome era Antinous, mais que sinceramente eu não sabia muita coisa a seu respeito mais que iria procurar e em quem sabe fazer um post aqui no blog, ele agradeceu a informação e disse que iria pesquisar também e que claro iria seguir o blog já que também era um grande amante do mundo das bruxas e vampyros.
E logo que cheguei em casa comecei a pesquisar sobre tal Deus, e infelizmente descobri que tem  pouco material a respeito desse Deus, mais vou tentar deixar um pouco do que encontrei aqui pra vocês Bora pro texto.
                       


Exposição Exagerada.


Olá pessoas amadas, como passaram esse feriado? Espero que bem. ^.^
Estava eu em meu Facebook quando vi uma atualização de um amigo companheiro da Arte, é a página de Odir Fontoura, um historiador dono do blog Diannus do Nemi, e o texto dele caiu numa hora perfeita, já que eu estava justamente discutindo sobre essa coisa de postar num canal livre e publico coisas que deveriam ser mantidas com mais bom senso e discrição. Publicar em redes sociais rituais que deveriam ser íntimos e particulares deixa margem para que possamos ser indagados sobre assuntos que preferimos que fique entre os nossos.
Devemos ter orgulho de pertencer a Arte sim, mas expor nossos mistérios publicamente é, no mínimo, imprudente.
Sim queridos amigos, até na bruxaria menos é mais.
Bora pro texto...

O público e o privado na Bruxaria.

As últimas rosas (Alma-Tadema, 1872).
Essa ideia do cuidado com as 
últimas
flores primaveris frente as muitas que
já morreram com o outono
representam muito bem a ideia do post.
De modo geral, existe um consenso básico: depois de alguns anos estudando e praticando bruxaria ou alguma vertente do ocultismo, mil vezes o silêncio do que a exposição gratuita. Ainda assim, não é novidade pra ninguém que vivemos uma pós-modernidade onde privacidade é algo que a cada vez menos sabemos exatamente o que é. Se participamos de uma rede social, então, nem se fala. E é justamente por isso que eu acredito que é possível - não sem um certo esforço - oscilar entre a luz e as sombras quando o assunto é nossas crenças e práticas quase sempre ligadas a um senso comum de deturpações e preconceitos por parte daqueles que nem sempre estão interessados em aprender sobre nós. 
Muitas pessoas costumam trabalhar com algo do gênero, e então a coisa fica mais fácil. É o caso de pessoas que escrevem livros sobre o assunto, são tarólogos ou cartomantes profissionais ou trabalham com algum tipo de terapia alternativa. Essas pessoas já vivem em um meio esotérico que é menos vulnerável às generalizações e ao senso comum. Mas ainda assim, essas pessoas têm famílias, amigos, vizinhos de outras religiões, enfim. Como lidar com uma vida "pública" e "privada" na bruxaria é algo que todos, sem exceção, precisam meditar. 

Hoje, a bruxaria está comumente associada ao paganismo e sempre temos que lembrar as diferenças para não confundir as duas coisas. O paganismo é uma cultura, um tipo de espiritualidade que deve sim ser divulgada, levada à público e ter sua visão de mundo exposta. Em termos de necessidades individuais, sociais, ecológicas e culturais posso arriscar em dizer que, se o mundo precisa de uma espiritualidade, ela é o paganismo. Ainda que seja suspeito pra falar. 

O clássico Círculo Mágico,
de Waterhouse. Atente
para o cenário oculto,
silencioso, quase secreto
em que a Bruxa opera.
Tem coisa melhor?
Mas a bruxaria não é isso. Ela é um ofício marginal, periférico, uma gnosis que se for compartilhada à todos e todas, simplesmente não funciona. Sempre foi e provavelmente sempre será assim. Aqui eu já escrevi sobre isso. Portanto, nunca é bastante relembrar: nossas crenças e práticas devem ser encaradas como um patrimônio a ser reservado, alimentado e cultivado no silêncio, somente entre nossos pares. Exposição traz banalização, mesmo que para aqueles amigos “mais próximos”. Banaliza sim, pois eles não vão entender do que se trata, a partir do momento que não tem a mesma visão de mundo que a nossa, nem as mesmas experiencias. E isso gera simplificação e reducionismo que não levam a outras coisas senão ao senso comum.

Então, por uma questão de respeito à nossa cultura e ao nosso patrimônio, aqui algumas sugestões: 

Você que costuma tirar fotos dos seus rituais e divulgar pelas redes sociais, pergunte-se: seus rituais são para quem? Para os deuses ou para seus colegas de trabalho? E são para quê? Gerar devoção, pedir por algo especial ou pra gerar publicidade? 

Se identifica nas redes sociais ou até pessoalmente trazendo um “Bruxo”, “Mago”, “Mestra” ou “Sacerdotisa” antes do seu primeiro nome? Bom, você acha que é dessa forma que irá encontrar ou ser identificado por seus semelhantes? Acho que essas coisas são sempre mais sutis, delicados, sagrados e discretos. Pense nisso, você quer ser reconhecido como bruxa, bruxo, mago ou até mestre por QUEM? 

Um lararium, atualmente no Museu
de Basel, Suíça. Os romanos
tinham muito claramente suas
diferenças do sagrado público
e privado. Os rituais  públicos
desempenhavam o culto aos
deuses  públicos, do Estado,
do Olimpo, do Capitólio etc.
Já  o culto familiar era reservado
aos Ancestrais da casa, aos Lares e
só participavam aqueles que
compartilhavam do mesmo sangue.
Roupas chamativas, pingentes, brincos, perucas, maquiagens: Se você usa porque faz parte do seu estilo, ótimo. Agora, do contrário, se é para passar uma mensagem de “eu sou bruxa, tenha medo de mim”, pergunto mais uma vez: QUEM você quer que faça essa leitura de você? E precisa ser dessa forma? 

Não vê problemas em dividir seus rituais com outras pessoas que não sejam do Ofício? Bom, pergunte a um amigo judeu se você, como visitante em alguma data especial, pode participar da ritualística da família. O mesmo com as cerimônias particulares de uma casa de umbanda. Com a maçonaria a mesma coisa. Pergunte se pode participar da cerimônia de ordenação de novos padres na Igreja católica. Pois bem, se você considera seu Ofício tão sagrado ou digno de respeito como esses acima citados, não trate-o como inferior. 

Bom pessoal, encerro por aqui. Essas são algumas sugestões para preservar a bruxaria que, sim, considero um patrimônio. E se muitos de nós comungam dessa sabedoria, não temos porque não protegê-la a sete chaves. Muitos falam que eu exagero com todo um “segredo” supostamente desnecessário. Eu respondo que prefiro pecar por excesso que por falta. E que existe uma grande diferença entre SEGREDO e MISTÉRIO, e de “secreto” nosso ofício pouco tem. 
Fonte: Diannus do Nemi